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Entrevista
com Tracy Tormé
(co-criador de Sliders):
Conduzida pelo
site "The Timer":
Primeiro Tracy, quando e como você criou Sliders?
Tracy Tormé: Eu havia lido um livro
sobre a Revolução Americana, e há um momento em que Washington foi quase
morto, se tivesse acontecido, teria mudado a história. Isso me fez começar a
pensar em todos aqueles pequenos momentos que afetam o futuro, o que me levou a
imaginar universos paralelos, etc. E eu queria criar meu próprio show, o que me
fez mudar de filmes para a TV.
Então quando você contatou Robert K. Weiss?
Tracy Tormé: Nós estávamos
trabalhando em um filme para a Universal Studios, com Joe Dante, e o astrofísico
francês Jacques Vallee. A primeira conversa sobre Sliders aconteceu em um
encontro sobre aquele filme chamado Messengers
of Deception.
E qual era seu objetivo quando criou Sliders?
Tracy Tormé: Apenas ficar o mais
fiel possível a minha visão, e fazer uma série única de ficção com uma
pitada de comédia.
Você tem algum episódio favorito?
Tracy Tormé: Eu gosto de quase tudo
nas primeiras duas temporadas. Gillian of
the Spirits, eu acho que é muito bom. Gosto
de Invasion
e The Guardian. Gosto de Summer
of Love. Quase tudo da temporada 1 e 2. Oh, eu adoro Post
Traumatic Slide Syndrome também, um dos melhores, definitivamente!
Porque você criou o personagem de Rembrandt? O que você esperava dele?
Tracy Tormé: Ele era minha
tentativa de jogar um cara inocente e não-científico no elenco.
Oh, sim... mas Rembrandt ficou muito mais corajoso após a 2ª temporada... Eu
perguntei se Robert Weiss se ele ficou feliz com a evolução do personagem.
Qual é a sua opinião?
Tracy Tormé: Não, eles basicamente
transformaram ele em um herói de ação depois que saí. Nada de comédia. Ele
ficava falando de seus dias na marinha?? Não gostei do que vi!
Sim, nós todos amamos o "Crying Man"! E você é o autor de algumas
das músicas junto a Paul Kelly, não é? Sabe, eu já me peguei cantando "Tears
in my Fro" no chuveiro!
Tracy Tormé: [risadas] Sim, Paul
Kelly é um fantástico cantor, é como um Bob Dylan da Austrália. Foi uma
grande honra trabalhar com ele.
Como
você vê o relacionamento Quinn-Wade?
Tracy Tormé: Sempre amigos, quase
se tornando amantes.
Oh, certo...mas por que o relacionamento deles gradualmente desapareceu na
Segunda Temporada?
Tracy Tormé: desapareceu?
Bem, eu penso... exceto no primeiro episódio da Segunda, nós sempre víamos
Quinn ou Wade com outra pessoa. Não?
Tracy
Tormé:
Nada intencional para separa-los, pelo que me lembro...
Devo confessar que passei a pensar mais nos meus atos... pelo medo das conseqüências.
Você pensa – como os Sliders – que o menor ator em sua vida pode ser
determinante?
Tracy Tormé: Sim, na maior parte. Nós
todos fazemos uma tonelada de decisões todos os dias, pequenas decisões, que
podem mudar nossa vida para sempre, sem nem pensar a respeito.
Sim... mas você não acha que é um medo terrível?
Tracy Tormé: Não exatamente. Tem
coisas que não temos nenhum controle. Conseqüências desagradáveis são parte
da vida. Você não pode ficar gastando tempo ou energia se preocupando com o
que "PODE" acontecer...
Que momento da humanidade que você gostaria de ter modificado?
Tracy Tormé: Bem, como um
americano, eu sinto que o assassinato de Jonh F. Kennedy foi realmente uma coisa
terrível, em tantos sentidos. E eu adoraria poder mudar esse momento da história,
se pudesse.
Você trabalhou em Jornadas nas Estrelas:
A Nova Geração. Em seu ponto de vista, qual é a diferença entre a ficção
desenvolvida em Sliders e aquela mostrada em Jornada
nas Estrelas?
Tracy Tormé: A diferença, é que Jornadas
nas Estrelas tem sempre tudo dando certo, e Sliders acaba sempre com uma
certa incerteza, ou perigo, etc.
E quanto ao humor em Sliders? É especial?
Tracy Tormé: Sim, bem diferente de Jornadas
nas Estrelas. Bem, nós sempre tivemos de lutar para manter o humor no
programa. Eu gostaria que nós tivéssemos feito mais. Parece que não sobrou
muito humor no programa depois que eu sai. Talvez eu esteja errado, eu não
assisti muito.
Você ainda guarda muitos scripts não usados pelos produtores?
Tracy Tormé: Bem, eu tenho todos os
scripts, mas eu não me lembro mais de um ou dois.
Você pode nos dizer mais sobre o “Heat
of the Moment”?
Tracy Tormé: Eu acho que esse
poderia ser um dos melhores episódios. É uma pena! Os Sliders chegam a um
mundo onde o planeta está se aproximando
do sol, lentamente. Bennish é um milionário que inventou um “chapéu
de gelo” para manter todos gelados. Ele vai trabalhar com Arturo, como em Last
Days, também um dos meus episódios favoritos, agora que penso a respeito.
Rembrandt parte para uma jornada para salvar seu irmão. Quinn e Wade percebem
que vão morrer neste mundo, e decidem se casar. Bennish e Arturo falham. O
mundo de Bennish está condenado. Rembrandt é morto em sua jornada. Arturo vai
ao casamento de Quinn e Wade, mas não os conta da morte do amigo. Quinn e Wade
se casam com apenas mais dois dias naquele planeta. E no final, os Sliders
conseguem escapar, e nós descobrimos que estávamos assistindo outros Sliders
durante todo o programa.
Oh, sim, era uma ótima idéia! Por que os produtores rejeitaram esse episódio
para a terceira temporada?
Tracy Tormé: John deixaria o
programa morto. Eles queriam que eu reescrevesse, mas eu recusei.
Nós ainda nos imaginamos por que John deixou o programa. Ele foi despedido, ou
não?
Tracy Tormé: O Canal queria que ele
saísse a um tempo. Com o Weiss fora, e sem mim, não havia mais ninguém para
mantê-lo.
Mas
isso é uma pena! John era ótimo com o personagem de Arturo, não era?
Tracy Tormé: Eu sempre achei que
ele era muito, muito importante para a série.
Você se identificava com esse personagem? Havia autobiografia?
Tracy Tormé: Bem, alguns dizem que
eu sou o Quinn, e Robert é o Arturo. Eu jogava baseball e football muito em
minha vida. Talvez haja um pouco disso em Quinn e seu porão.
Você poderia nos dizer qual seu ponto de vista sobre o episódio Into
the Mystic? Você acha que os Sliders chegaram em casa no final?
Tracy Tormé: Sem dúvida. A propósito,
Into the Mystic
foi intitulado com o nome de uma das minha músicas favoritas de Van
Morrison.
E quanto a Post Traumatic Slide Syndrome,
você acha que o Arturo errado
deslizou?
Tracy Tormé: Sempre me perguntam
isso, e eu nunca responderei! Eu estragaria a diversão. Mas há pistas de qual
Arturo foi com os outros, se você olhar com cuidado.
Quais eram as relações com a FOX, no início de Sliders?
Tracy Tormé: Durante o piloto eles
deixaram eu fazer tudo que quisesse, mas durante o resto da séries foi sempre
difícil. Eles queriam algo de muita ação, com um pouquinho de comédia,
muitos monstros e perseguições. E vejam o que eles fizeram eventualmente, é o
show que eles sempre quiseram. Mas não era o meu show, então eu não faria
mais.
O que pode nos dizer sobre um filme dos Sliders?
Tracy Tormé: Apenas rumores, nada
está acontecendo agora.
Desculpe pela curiosidade, mas e quanto as palavras de Robert Weiss?
Tracy Tormé: Robert gostaria de
fazer um filme, mas nada está acontecendo.
E se acontecer, você gostaria de estar envolvido?
Tracy Tormé: Nas circunstâncias
certas, sim.
Por exemplo, todo o elenco original?
Tracy Tormé: Sim, absolutamente.
Robert K. Weiss considerou Sliders como um
show "que pudesse durar 100 episódios". Você pensa em trazer
Sliders de volta em outra forma? (como um spin-off)
Tracy Tormé: hmmm, seria bem difícil
de fazer, mas eu nunca digo nunca.
Que arrependimentos você tem sobre o seriado?
Tracy Tormé: Bem, pra mim são dois
seriados totalmente diferentes. As primeiras duas temporadas, e as outras últimas
três. São como a noite e o dia. Eu não acho as últimas temporadas muito
interessante pelo que vi.
Que memória boas você tem dos velhos tempos de Sliders?
Tracy Tormé: Eu tenho muitas memórias
fantásticas. Eu adoro viver e trabalhar em Vancouver. Está sempre chovendo mas
é divertido. Minhas memórias são praticamente todas ótimas.
Como você consegue explicar o sucesso global de Sliders?
Tracy Tormé: Eu estou muito feliz
com isso! Eu adoraria falar com fãs franceses, por exemplo, e responder suas
perguntas, gostaria de saber se muda de país para país.
Você é um puro “homem da ficção”? Qual são suas influências?
Tracy Tormé: Eu certamente gosto
muito de ficção-científica.
Minha maior influência seria qualquer coisa escrita pelo Richard
Matheson. Na
TV seria Twilight Zone, Outer
Limits, The Prisoner e filmes
seria The Thing, os primeiros dois Invasion
Of The Body Snatchers, The Parrallax
View, os filmes de Warren Beatty, Woody Allen, the
Simpsons, filmes de monty python noir, etc.
Quando você começou a escrever para televisão?
Tracy Tormé: Começou com uma comédia
muito legal chamada SCTV. Aí eu fui
para o Saturday Night Live, foi assim
que eu comecei.
O que você acha dos fanfincs na Web?
Tracy Tormé: Os que eu vi eram ótimos.
Você acredita nas diferentes teorias que postulam a existência de universos
paralelos?
Tracy Tormé: E tudo muito peculiar,
mas muito possível.
Imagine que você pudesse viajar para universos paralelos, como o Quinn. Você
deslizaria? Você acha que seria um bom Slider?
Tracy Tormé: Eu definitivamente
deslizaria, e eu acho que eu seria um bom Slider, por que consigo manter meu
senso de humor, e eu seria um bom sobrevivente.
Se
você encontrasse seu duplo, o que você diria a ele?
Tracy Tormé: Para não se casar,
vida de solteiro é mais divertida! [risadas]
Mas e quanto ao casamento do Quinn e da Wade em Heat
of the Moment? Não acha que é ótimo?
Tracy Tormé: É, mas precisou da
Terra indo direto para o sol para isso acontecer!
Você mencionou alguns projetos seus, que poderiam interessar os fãs de
Sliders. Pode nos dizer mais sobre eles?
Tracy Tormé: Eu tenho vários novos
programas, chegando logo. Kung Pow é
uma comédia para o Usa Network. True
Tales Of Terror é uma série antológica para
MTV ou FX. Doomsday é uma série
de comédia animada de ficção, Domination
é um thriller muito ambicioso para a Warner Brothers. Está em desenvolvimento.
Vamos ver o que acontece.
Muito obrigado pelas sua respostas, Tracy!
(Retirado do Site:
http://leminuteur.free.fr)
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