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DEPOIS DO FIM
Autor: José Francisco Irineu Marcolino
(Aparece na tela a seguinte legenda: HOSPITAL SAINT JULES - 28 DE SETEMBRO - 09:00 A.M. - 01 ANO APÓS A VOLTA).
(O Professor Arturo está adormecido numa das camas do hospital. Ele usa roupas comuns para um paciente e tem um tubo de soro atado ao braço direito).
(Ele abre os olhos vagarosamente. Quinn, Rembrandt e Wade estão em volta da cama, assim como uma enfermeira que está mexendo no soro).
(Professor Arturo, colocando as duas mãos sobre o rosto)_Ai, minha cabeça! Parece que andaram testando bombas atômicas aqui dentro!
(Quinn, sorrindo)_É bom ter você de volta, Professor.
(Rembrandt)_É, Arturo, não foi dessa vez que você deslizou para aquela grande universidade lá no Céu.
(Wade)_Não liga pra ele! Estamos muito felizes porque você acordou.
(Prof. Arturo)_Hum... Que horas são?
(Quinn, olhando para a enfermeira)_Susy, você podia nos deixar a sós com ele por um instante?
(Enfermeira)_Claro. Se precisarem é só chamar.
(Quinn)_Obrigado.
(A enfermeira sai).
(Prof. Arturo)_Que suspense é esse só para dizer as horas?
(Wade,olhando para o relógio em seu pulso)_Professor, são nove horas da manhã... de sexta.
(Prof. Arturo)_Sexta?! Meu Deus! O que aconteceu? Eu estava me arrumando para nossa comemoração no Bar da Joan e...
(Rembrandt)_Bem.. Professor, a comemoração foi um desastre, o Bar da Joan foi fechado pela Polícia... E a própria Joan... Ela tá estiradinha lá no necrotério... Você que matou...
Quer dizer, não exatamente...
(Prof. Arturo)_O quê?! Isso é alguma brincadeira? O que diabos está acontecendo aqui?
(Quinn, olha para Wade)_Como vamos explicar a ele?
(Wade)_Talvez nem precisemos. Jonas deve está chegando a qualquer momento.
(Prof. Arturo)_Jonas? Quem é Jonas?
(Rembrandt)_É nosso novo amigo. Mas eu acho que ele seja mais íntimo de você do que da gente.
(Prof. Arturo)_Hã?
(Wade começa a sentir frio).
(Wade)_Acho que ele está chegando.
(Prof. Arturo)_Quem? Quem inferno é Jonas?
(Wade se afasta para o lado e uma nuvem luminosa aparece no quarto, vai se alterando até se tornar a figura semi-transparente, etérea e fantasmagórica de um homem).
(Jonas)_ Meu nome é Jonas Hartmann, Prof. Maximillian Arturo. Nasci numa terra paralela a sua. Sou um slider, como você já foi e creio que lhe devo muitas explicações. É uma história bem
estranha e começa com você se arrumando diante do espelho....
(Corte de cena)
(Aparece na tela a seguinte legenda: CASA DO PROF. ARTURO - 27 DE SETEMBRO - 07:00 P.M.).
(O Prof. Arturo está sozinho se arrumando diante do espelho. Um gato cinzento dorme na cama).
(Prof. Arturo)_Ah, meu caro, suponho que você está ficando mais vaidoso com a idade. De qualquer forma ainda tenho algum tempo... Uma comemoração. Se não tivesse dado a palavra aos
outros, eu não iria. Sabe, Albert, depois de tantas aventuras e terras paralelas, prefiro sinceramente ficar em casa... Albert?
(Olha para o gato).
(Prof. Arturo)_Ah, dormindo de novo! Se não me engano, você havia se comprometido a liquidar aquele camundongo lá da cozinha. Parece que nessa casa só eu me importo em cumprir promessas...
(Arturo se vira novamente para o espelho e continua se arrumando. O gato acorda, emite um miado de pânico e foge correndo do quarto).
(Arturo pára de se arrumar e volta-se para onde estava o gato).
(Prof. Arturo)_Albert? O que houve? Qual é o prob...
(O Professor coloca as mãos na cabeça e começa a gemer como se sentisse muita dor. Depois desmaia sobre a cama. Após alguns momentos, levanta-se. Olha com atenção para as mãos e toca o rosto - como se estivesse examinando-o. Abre uma gaveta, tira de lá um revólver, e olha para o espelho).
(Prof. Arturo, sorrindo)_Perdoe-me por isso, Professor.
(Corte de cena).
(Aparece na tela a seguinte legenda: BAR DA JOAN - 27 DE SETEMBRO - 07:20 P.M.).
(Quinn, Rembrandt e Arturo estão numa mesa do bar. Há comida, cerveja e refrigerantes).
(Quinn)_Remmy, porque você escolheu aqui?
(Rembrandt)_Ei, o lugar é legal. E Joan é um dez.
(Wade)_Peraí, Quinn, a comida é boa.
(Quinn)_É tem razão. Sabem... Mal consigo acreditar que um ano atrás nós ainda estávamos vagando de uma terra paralela para outra.
(Rembrandt)_Ô! Nem me fala! Às vezes eu mesmo me belisco para ver se não tô sonhando. Me sinto a própria Dorothy quando voltou pra casa!
(Quinn)_Realmente é quase um sonho e devemos isso aquelas crianças...
(Rembrandt)_Pôxa, cara, parece delírio, não é? Uma terra inteira habitada apenas por crianças mais inteligentes do que o Einstein.
(Wade)_Não, Quinn, devemos a você: quem foi que conseguiu adaptar a tecnologia deles e controlar o vórtice?
(Quinn sorrindo levemente)_É... Acho que devia isso a vocês: afinal, fui eu que coloquei nosso grupo nessa enrascada de "deslizamento".
(Rembrandt)_Calma, homem, não se atormente, isso já passou!
(Wade)_Sejam sinceros: vocês não sentem falta, nem mesmo um pouquinho?
(Rembrandt)_Pelo amor de Deus! Larguei o vício: nada de "deslizamentos" para mim.
(Quinn)_Às vezes, penso no assunto. Estivemos diante de tantas possibilidades... Quase infinitas... E ainda há tantas que poderíamos ver, provar...
(Rembrandt)_Calma aí, Gênio! Pé no chão! Não viaja, tá bem? E se for ligar aquela coisa de vórtice de novo me avisa: quero estar na China quando você fizer isso.
(Quinn)_Não se preocupe, Remmy! Isso já passou. Acho que nossos dias como Sliders estão enterrados. Um brinde a isso!
(Eles sorriem e brindam).
(Rembrandt)_Ei, Quinn?
(Quinn, tomando um copo de refrigerante)_O que é?
(Rembrandt)_Quando vai se declarar pra Wade?
(Quinn engasga e tosse).
(Quinn)_Que história é essa?
(Rembrandt)_Ah, vai... Esse tempo todo e você nada... Acorda, cara!
(Quinn, acanhado)_Mas eu...
(Rembrandt)_Homem, não fique nervoso: é só brincadeira. Você está vermelho (sorri e olha para Wade - que está sorrindo também). Tudo bem: Wade sabe esperar. Não é garota? (pisca para ela)
(Quinn, muito nervoso)_O que vocês?
(Rembrandt, ainda rindo)_Esquece, cara. Toma teu refrigerante. E o Professor?
(Wade)_Já deve está chegando. Ele disse que viria. Eu acho que... (se vira para a porta). Olha ele ali! (acena) Professor, estamos aqui!
(o Professor se aproxima e senta).
(Prof. Arturo)_Boa Noite.
(Rembrandt)_Do jeito que você anda caseiro hoje em dia, pensei que não ia vir.
(Prof. Arturo)_A travessia foi mais difícil do que imaginei.
(Wade)_Hã?
(Quinn)_Travessia?
(Rembrandt)_Qual é a de hoje? Alguma brincadeira para comemorar um ano em casa?
(Prof. Arturo)_Esqueçam. Nada importante. Agora é só esperar.
(Wade)_Professor, você está bem esquisito hoje.
(Rembrandt)_Ah, quer saber? Tô com fome. Alguém me acompanha num hambúrguer? (Ergue o dedo e diz:) Ei, Joan, um hambúrguer do jeito que eu gosto.
(Joan, do outro lado do balcão, responde:)
(Joan)_É pra já, Remmy!
(Wade)_Obrigado, Remmy, não pra mim. Depois daquela dimensão das plantas inteligentes, eu sou vegetariana.
(Quinn)_Pra mim também não. Estou de dieta.
(Rembrandt)_E você, Professor?
(Prof. Arturo)_Não, obrigado.
(Rembrandt)_Então eu como sozinho.
(Os Sliders continuam conversando. O Professor permanece taciturno. Joan vai a cozinha. Lá, um homem está assando carne para hambúrgueres).
(Joan)_Tom, um hambúrguer pra mesa sete. Pro Remmy.
(Tom, respondendo sem se virar)_Tá. Fica pronto num minuto.
(Súbito, Joan põe as mãos sobre o rosto e começa a gemer como se sentisse muita dor. Em seguida, desmaia).
(Tom, surpreso, pára e volta-se para o corpo caído de Joan).
(Tom)_Ei, que é que foi?
(Ela abre os olhos e se levanta).
(Tom)_Você tá bem?
(Joan ignora a pergunta e começa a olhar para seus braços e mãos. Depois toca com curiosidade no rosto).
(Joan)_Hum... Não é o melhor que eu poderia conseguir, mas acho que serve.
(Tom)_Joan, que é que você tem? Tá esquisita!
(Joan olha em volta e depois aponta para uma frigideira próxima a Tom).
(Joan)_Dê-me aquilo ali.
(Tom entrega a frigideira a ela).
(Tom)_Ó aqui.
(Joan)_Obrigado.
(De repente, Joan golpeia violentamente o rosto de Tom. O homem cai. ela coloca a frigideira sobre o fogão).
(Joan)_Bom, pelo menos esse não interfere.
(Ela fecha os olhos, como se estivesse se concentrando).
(Joan)_Deixe-me ver a memória dela... Onde será que... Ah! Claro.
(Sai da cozinha, volta ao balcão, remexe debaixo e encontra uma espingarda de cano duplo).
(Joan, murmurando)_Muito bem, meus caros "Sliders"...
(A cena volta para a mesa dos Sliders).
(Quinn)_Ei, Remy, como vai a banda?
(Rembrandt, sorrindo entusiasmado)_Tá ótima e vai ficar ainda melhor! Daqui a seis meses nosso CD tá no mercado. Parece que reunir os "Tops" de novo foi a idéia da minha vida.
(Wade)_Bom ver que você não perdeu tempo.
(Rembrandt)_E teu livro, Wade?
(Wade)_Assinei contrato com uma pequena editora da Flórida. Eles estão entusiasmados. Dá pra acreditar?
(Quinn)_É modéstia dela. Eu li os poemas. São ótimos.
(Wade ri).
(Rembrandt)_E você, Quinn?
(Quinn)_Só estudando. Quero recuperar o tempo que passei... Deslizando.
(Wade)_Professor ouvi dizer que se afastou da universidade.
(Prof. Arturo)_Hum-hum...
(Wade pára e fica em silêncio como se algo houvesse lhe prendido a atenção).
(Wade)_Vocês não escutaram algo?
(Quinn)_O que?
(Wade)_Não sei. Um barulho... Sei lá. Deve ter sido impressão.
(Wade volta a tomar seu copo de refrigerante. Súbito, todos têm um sobressalto diante do som de um tiro e se voltam para o balcão, onde Joan está segurando a espingarda ainda apontada para o teto).
(Joan)_Isso foi um tiro de aviso. Não desejo mortes desnecessárias. Todo mundo saia daqui agora e ninguém se machuca. (Aponta para a mesa dos Sliders). Menos vocês. Vocês ficam.
(Prof. Arturo)_Começou.
(De repente, um homem se ergue de uma das mesas. Ele saca uma arma e mostra um distintivo).
(Homem)_Polícia! Largue essa arma devagar!
(Joan se vira para o homem e dispara. O policial cai morto).
(Olha para todos no bar).
(Joan)_E então?
(Os fregueses saem correndo em pânico. Os Sliders ficam, paralisados de medo. Joan aponta a arma para eles).
(Rembrandt)_Joan, pelo amor de Deus, que loucura é essa? Vamos conversar. Sou eu...
Remmy.
(Joan, apontando a arma)_Cale-se, Rembrandt Brown. Não estou aqui para conversar. Como agente dos mais elevados poderes, condeno vocês, Sliders, pela heresia do deslizamento.
(Wade)_Poderes? Heresia? Do que ela está falando?
(Quinn)_Sra. Joan, talvez nós pudéssemos...
(Joan)_Sr. Mallory, continue em silêncio. Você é pior do que os outros: foi quem os levou pelas dimensões.
(Wade)_Como ela sabe disso?
(Quinn)_Sra. Joan...
(Joan, irritada)_Sr. Mallory...
(Quinn)_Não, por favor, espere. Escutou isso? São sirenes. A Polícia está cercando o bar. Se nos matar, não vai sair bem dessa.
(Joan)_Vou sim, Sr. Mallory. Quando cumprir minha tarefa, partirei sem problemas. Incrível! Os lendários Sliders! Os maiores pecadores entre as dimensões. A dúvida é: quem mato primeiro?
(Close nos Sliders, que olham um para o outro, exceto o Prof. Arturo, assustados).
(Prof. Arturo)_Espere! Poupe os outros e mate apenas a mim!
(Joan)_Prof. Maximillian Arturo, eu desconhecia essa sua coragem.
(Rembrandt)_Eu também.
(Joan)_Pena que é inútil. Atirarei em você e depois nos outros.
(Joan mira no Professor).
(Joan, sorrindo)_Adeus, Professor.
(Prof. Arturo)_Sim, Caleb. Termina aqui. Agora.
(Joan, espantada, abaixa a arma por um instante).
(Joan)_O que? Como você poderia...
(O Professor saca de seu revólver e atira na cabeça de Joan. Ela cai. A Polícia invade o bar. Os Sliders se aproximam do corpo).
(Corte de cena).
(Aparece na tela a seguinte legenda: DELEGACIA DE POLÍCIA - 27 DE SETEMBRO - 09:20 P.M.).
(Quinn, Rembrandt e Wade esperam num banco de um corredor. Um policial atravessa a porta e vem falar com eles).
(Ten. Kimer)_Vocês podem entrar agora.
(Eles entram. O Prof. Arturo está sentado na sala de interrogatórios).
(Quinn)_Ten. Kimer, já podemos ir agora?
(Ten. Kimer)_Sim. Podem levá-lo. Não há muito o que fazer. Foi legítima defesa. Ele disse que saiu de casa com o revólver porque estava com medo de assaltos. (Virando-se para o Professor). Pode ir, Prof. Arturo, não saia da cidade por enquanto. Podemos precisar fazer mais algumas perguntas.
(Prof. Arturo, levantando-se)_Certo.
(Os Sliders começam a sair).
(Ten. Kimer, falando com Quinn)_Isso tudo foi muito estranho. Eu conhecia Joan. Uma boa mulher. O que a teria feito enlouquecer dessa maneira?
(Quinn)_Acho que nunca vamos saber. Como estão o policial e o cara na cozinha?
(Ten. Kimer)_Tom O'Miller está na outra sala, chorando por causa da Joan. O policial, Ben Roster, continua em coma no hospital.
(Quinn)_Espero que se recupere. Boa Noite, Tenente.
(Apertam-se as mãos e Quinn volta para o corredor).
(No corredor).
(Prof. Arturo)_Eu pediria que todos sentassem...
(Rembrandt)_O que é, Arturo?
(Prof. Arturo)_ Nada disso é o que parece... Por favor, escutem...
(Corte de cena).
(De volta ao presente, no quarto do hospital. Aparece a seguinte legenda na tela: HOSPITAL SAINT JULES - 27 DE SETEMBRO - 09:15 P.M.).
(Jonas)_Quando a explicação terminou, eu abandonei seu corpo e o trauma resultante o fez ficar desacordado por horas. Temo que essa dor de cabeça também seja um efeito colateral. Não gosto de usar a habilidade da possessão, apenas algumas pessoas, com características especiais podem ser hospedeiros e sempre é doloroso para elas. Caleb também possuía essa capacidade. Foi assim que usou o corpo de Joan para atacar vocês.
(Prof. Arturo)_Possessão? Do que você está falando? E quem é Caleb?
(Jonas, entristecido)_Era meu irmão e eu o matei usando seu corpo, Professor. Escute há mais que você deve escutar: como disse, nasci numa terra paralela a sua. Anós atrás, eu e Caleb éramos cientistas. Como Quinn, nós descobrimos a técnica do deslizamento, mas conosco alguma variável fugiu ao controle: nosso vórtice explodiu e levou metade de Nova Iorque com ele. Milhares morreram. Meu irmão e eu sobrevivemos como fantasmas. Mas havia compensações, pois com nossos espíritos podíamos viajar facilmente de uma terra paralela para outra, sem nos perdemos e podíamos possuir os corpos de outras pessoas e usá-los como se fossem nossos. Em algum momento, Caleb se separou de mim. Demorei anos para reencontrá-lo e ele já estava louco. Dizia que agora servia a deuses, que lhe ordenaram a execução de todos que praticassem o "deslizamento" - "uma heresia", ele afirmava. Ele tentou me matar, porém não conseguiu. Eu o persegui através das dimensões, tentando detê-lo. Muitas vezes falhei. Ele deve ter assassinado pelo menos cinqüenta sliders como vocês. Seis meses atrás, concebi um plano para encerrar toda essa insanidade. Simulei minha destruição para enganá-lo e aguardei seu próximo ataque, que foi aqui. Vocês são famosos entre as dimensões. Não imaginam o quanto.
(Prof. Arturo)_Mas o que aconteceu com ele?
(Jonas)_Peguei de surpresa. Não teve tempo de deixar o corpo de Joan. Morreu lá dentro. Esse era meu plano.
(Todos ficam em silêncio).
(Prof. Arturo)_Meu Deus! Isso tudo é tão inacreditável.
(Jonas)_Sim. Por vezes, eu mesmo chego a cogitar se tudo não é somente uma alucinação e que ainda estou, na verdade, no chão de meu laboratório, anos atrás, queimando e morrendo como tantos de Nova Iorque de minha terra... Eu lamento por ter possuído seu corpo, Professor... E por também por Joan e pelo policial... Infelizmente, não havia outra forma de deter Caleb. Sei que isso não é suficiente, mas, sinto muito.
(Prof. Arturo)_E quem sou eu pra te julgar. O que vai fazer agora?
(Jonas)_Sinceramente, não sei. Voltar para minha terra, talvez... Professor, devo ir agora. É extremamente difícil e doloroso me manter visível. Porém, escutem: quando fui transformado, adquiri um terceiro dom, além dos que já lhes disse. Eu posso... Vislumbrar o futuro... Algo terrível vai acontecer... Muito em breve... Suas viagens... Sliders... irão recomeçar... Sejam sábios e corajosos... E onde quer que eu esteja, lhes desejarei boa sorte. Adeus.
(Jonas fica em silêncio e vagarosamente desaparece).
(Wade)_Ele é legal, não é, Professor?
(Rembrandt)_Ai, Meu Deus! Arturo, você vai ter alta hoje e tenho que ir agora.
(Quinn)_Pra que tanta pressa, Remmy?
(Rembrandt)_Vou correndo pro ensaio dos "Tops". Quero terminar nossa nova canção antes que um vórtice me pegue pelo traseiro. Tchau!
(Rembrandt sai apressado).
(Quinn, Wade e o Professor se entreolham espantados).
(Corte de cena).
(Aparece na tela, a seguinte legenda: DOIS DIAS DEPOIS...)
(Quinn e Wade estão caminhando na beira de uma praia).
(Wade)_Esse lugar não é mesmo lindo? É tão... Tão poético. Queria poder vir aqui todos os dias... Ah, o Professor me ligou. Disse que vai voltar a dar aulas na universidade. Bom, não é ?
(Quinn)_É. Mas não foi sobre isso que te chamei aqui pra conversar.
(Wade)_E o que é, Quinn?
(Quinn baixa a cabeça e ri meio sem jeito)_É uma coisa que quero te dizer...
(Wade)_O que?
(Quinn)_Tem a ver com aquela brincadeira de Remmy lá no Bar da Joan.
(Wade, rindo)_ Pensei que você já tinha esquecido.
(Quinn)_Eu não poderia esquecer... Quanto ao que Jonas falou... Sobre nossa viagens recomeçarem... Você acredita nisso?
(Wade, melancólica, olha para o mar)_Alguma coisa em mim diz que ele falava a verdade.
(Quinn)_É. E, quem sabe, não tenhamos tanta sorte dessa vez. Talvez não voltemos mais pra casa ou algum de nós morra. No Bar da Joan estivemos muito perto disso.
(Wade)_O que há, Quinn. Nunca te vi tão pessimista.
(Quinn)_Olha... Eu queria te dizer... Por que é tão difícil? Eu ensaiei tanto pra falar...
(Wade)_Tenta. É só botar para fora.
(Quinn)_Está bem. (Faz uma pausa. Pára de andar - Wade também - e fecha os olhos). Srta. Wells...
(Wade)_Sim, Sr. Mallory.
(Quinn)_Acho que te amo.
(Wade, rindo espantada)_ O quê?!
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