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POR
QUINN - Um conto da slider Wade Wells - PARTE I
Autora:
Maria Cecília Barbosa de Lima.
Prólogo:
Por um instante, Rembrandt parecia hesitar, depois juntou suas forças e
continuou: _... Garota, não posso mais dizer que o pior não tá aí
diante de teus olhos. Ia ser mentira. Mas você tem que agüentar. É
jovem, é a pessoa mais forte que conheço. Eu to preocupado. Por favor,
não faça nenhuma besteira. Ao terminar a última frase, ele olhou para
o rosto de Wade. Ela havia baixado a cabeça e estava chorando. _Ai, meu
Deus! Fiz você chorar! - disse Rembrandt e o arrependimento em sua voz
lhe doía na alma. _Não é culpa sua - Wade respondeu enquanto segurava
as lágrimas - É... Tudo isto! É injusto! Quinn estava tão esperançoso.
Me garantiu que ia nos levar de volta pra casa logo... E a alegria nos
olhos dele quando falou isso... Foi tão... Tão... _Fala, Wade. Você
tem que se abrir senão vai acabar explodindo! - acrescentou Rembrandt
no tom mais paternal que pôde. _Quinn e eu... Nunca passamos de um
olhar ou uma frase insinuante... Talvez porque nós dois somos
idealistas demais... Complicados demais... E não conseguimos,
simplesmente, dizer... O que realmente importa. Eu o amo e sei que ele
me ama também. Posso ler isso nos olhos dele... Mas agora... Eu nunca
vou poder contar a ele... E a idéia de continuar neste... Multiverso...
Sozinha... Sem Quinn... É mais do que eu poderia... Remy, por que de
repente tudo ficou tão horrível? Por que tudo é tão injusto? As
perguntas de Wade atingiram a alma de Rembrandt de um modo que o
surpreendeu. O rosto dela, as lágrimas que escorriam e aquela expressão
de tão profundo e inescapável desesperança machucaram-lhe o espírito.
Por um instante, ele se sentiu no topo de alguma distante montanha,
extremamente velho e doente, sob um céu sem lua ou estrelas, e
indagando a um universo enorme e indiferente. Naquele momento, ele
compreendeu. Foi como se pudesse ler dentro do coração de Wade e, por
um segundo, sofreu como ela e a dor quase fez seu próprio coração -
que parecia de vidro prestes a ser esmagado - desejar parar. E ele
repeliu aquele tormento com todas as forças que conhecia pois
percebeu-se pequeno demais para resistir àquilo. Então Rembrandt abraçou-a.
Os anos como Sliders - toda aquela busca maluca, saltando de uma Terra
paralela para outra - e o sofrimento dos últimos dias forjaram uma
amizade entre os dois como poucas vezes se viu. _Eu não sei, Wade, mas
juro por Deus que gostaria de saber - disse Rembrandt e nunca em sua
vida ele desejara algo tão intensamente quanto agora.
********************
Já
era noite na caverna que servira de lar para os Sliders nos últimos
dias. No centro, o calor de uma fogueira aquecia cada canto daquele
ambiente rústico porém não alcançava o coração de Wade. Rembrandt
dormia um sono desagradável e intranqüilo. A frustação de não poder
ajudar era terrível para sua alma e em silêncio ele sofria.
O
Professor Arturo estava se recuperando vagarosamente e breve estaria
curado. Os deuses pareciam gostar dele. Quinn, porém, definhava. Dia após
dia, o vírus resistiu a todos os esforços e orações lançados contra
ele com um heroísmo que quase rivalizava ao daquele rapaz. Wade
permanecia ao lado de Quinn, chorando e rezando até aqueles momentos em
que o cansaço conseguia arrastá-la para dentro do sono e dos sonhos.
No sonhos de Wade tudo ia bem. Quinn estava com ela, em sua terra
original, e eles tinham filhos brincando a seus pés e uma casa onde
dormiam juntos à noite e diziam abertamente um para o outro que se
amavam e contavam entre si as história dos tempos em que foram sliders.
Um sonho perfeito. A vida perfeita. Como deveria ter sido. Porém quando
Wade acordava, Quinn estava morrendo diante de seus olhos.
********************
Os
sliders chegaram àquela Terra numa tarde fatídica castigada por ventos
frios. Logo após sair do vórtice, Wade sentiu-se vulnerável como
nunca antes.
Abraçou
Quinn buscando por calor e para sufocar algo que se insinuava em sua
alma, embora ela não soubesse dizer o que era. O povo daquele mundo
sobrevivia numa vida simples, quase tribal. Eram hospitaleiros e
curiosos para com os estranhos e o líder contou a Quinn que na década
de 90 do século XX às pesquisas por uma vacina contra a AIDS
provocaram a criação de um novo vírus mutante, que se espalhava pelo
ar, e mostrou-se mortífero o bastante para dizimar noventa por cento da
população mundial. A civilização ruiu por todos os cantos e os
sobreviventes, que pareciam ter adquirido imunidade à doença,
espalharam-se pelo globo. Wade ficou assustada com aquela história do vírus,
mas ainda faltava horas até que o próximo vórtice pudesse ser aberto
e eles tiveram de esperar. Foi então que as coisas ruins começaram a
acontecer.
Rembrandt
foi o primeiro a contrair o vírus, seguido pelo Professor Arturo e
depois por Quinn. Wade, porém, parecia imune. Para Rembrandt, não foi
mais do que um resfriado, mas o Professor e Quinn sucumbiram e ardiam em
febre e deliravam. E Wade começava a se desesperar. Enquanto ela se
derretia em lágrimas, Rembrandt conteve a tristeza e lembrou do momento
da abertura do novo vórtice, que seria na manhã seguinte. Primeiro ele
tocou no assunto com Wade, mas ela não estava em condições de ouvi-lo
e então ele procurou o líder da tribo - uma mistura de médico e xamã
e guru dos anos 60 - que estava ocupado preparando uma porção de ervas
curativas, e explicou-lhe o assunto.
_Preste
atenção: - respondeu o curadeiro - seus amigos podem sobreviver ao vírus.
Já vi isso antes. Tudo depende do corpo deles. Do sistema imunológico.
Mas precisam repousar. Se entendi bem sobre essas viagens de vocês,
submetê-los a algo assim pode ser o meio mais rápido de matá-los.
O líder
da tribo encerrou a conversa e voltou para suas poções e preces,
deixando Rembrandt sozinho com sua consciência. Ele pensou em como
sentia falta de sua terra original, no terror de ficar aprisionado neste
novo mundo por vários anos, no contador - que estava nas coisas de
Quinn e que ele poderia facilmente pegar, ativá-lo e partir para
continuar procurando o caminho de volta para casa - porém, havia o
Professor e Quinn e Wade estava aos prantos - e ele sabia que ela nunca
deixaria Quinn para trás... Rembrandt pensou em seus amigos por alguns
instantes e, depois, no quanto era somente um idiota de coração
mole.... E ficou com Wade pelo resto da noite, ajudando no que podia,
rezando com ela e tentando consolá-la. E assim, a manhã veio e a hora
da abertura do vórtice passou...
CONTINUA...
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